Estar endividado pode dar a sensação de que não existe saída. As contas chegam, o salário acaba antes do mês e, quando surge uma emergência, muitas vezes o cartão de crédito parece ser a única solução.
Mas sair das dívidas não começa quando você consegue ganhar muito dinheiro. Começa quando você entende exatamente quanto deve, para quem deve e quanto consegue pagar todos os meses.
Neste artigo, você vai encontrar um passo a passo simples para começar a organizar sua vida financeira e sair do vermelho.
Pare de fazer novas dívidas
Antes de pensar em quitar as dívidas antigas, é importante interromper o ciclo.
Se você continua usando o cartão para pagar despesas que não cabem no orçamento, pode quitar uma dívida e criar outra logo em seguida.
Durante esse período, tente evitar:
Compras parceladas desnecessárias;
Usar o cartão para completar o dinheiro do mês;
Empréstimos para pagar compras de consumo;
Comprar por impulso;
Aumentar o limite de crédito.
O cartão de crédito não aumenta sua renda. Ele apenas antecipa uma compra que você terá que pagar depois.
Descubra exatamente quanto você deve
Esse é um dos passos mais importantes.
Pegue papel e caneta, abra os aplicativos dos bancos e faça uma lista de todas as suas dívidas.
Anote:
DívidaValorJurosParcelaVencimentoCartãoR$ 1.500—R$ 30010/10EmpréstimoR$ 2.000—R$ 25015/10LojaR$ 500—R$ 10020/10
Não deixe nenhuma dívida de fora.
Inclua cartão de crédito, empréstimos, financiamentos, contas atrasadas, compras parceladas e até dinheiro que você pegou emprestado de familiares.
A CAIXA recomenda justamente levantar o credor, valor devido, juros, parcela e valor necessário para quitar cada dívida.
Descubra quanto realmente sobra do seu salário
Agora faça outra conta:
Renda mensal − gastos essenciais = dinheiro disponível para as dívidas
Por exemplo:
Salário: R$ 2.500
Aluguel: R$ 700
Alimentação: R$ 500
Luz, água e internet: R$ 250
Transporte: R$ 250
Sobra: R$ 800
Nesse exemplo, não significa que você precisa necessariamente colocar os R$ 800 inteiros nas dívidas. É preciso deixar espaço para despesas que aparecem durante o mês.
O importante é descobrir qual é a sua capacidade real de pagamento.
Organize as dívidas por prioridade
Nem todas as dívidas têm o mesmo impacto.
Uma dívida com juros muito altos pode crescer rapidamente. Cartão de crédito e cheque especial, por exemplo, merecem atenção especial.
Também existem contas essenciais, como água, luz, aluguel e alimentação, que precisam entrar no planejamento.
Depois de listar tudo, organize suas dívidas considerando principalmente:
Contas essenciais;
Dívidas com juros elevados;
Dívidas que podem gerar consequências importantes se não forem pagas;
Dívidas com juros menores.
A recomendação de priorizar dívidas com juros mais altos e negociar condições de pagamento também aparece nas orientações de educação financeira da CAIXA.
Negocie antes de simplesmente aceitar qualquer parcela
Se você não consegue pagar uma dívida inteira, converse com o credor.
Pergunte:
“Quanto fica para quitar à vista?”
Depois pergunte:
“Qual é a menor parcela que vocês conseguem oferecer?”
E também:
“Qual será o valor total que vou pagar no final do acordo?”
Essa última pergunta é muito importante.
Uma parcela pequena pode parecer boa, mas um prazo muito longo pode fazer você pagar muito mais no total.
Compare sempre o valor total da negociação, e não apenas o valor da parcela.
Escolha uma estratégia para quitar
Existem diferentes maneiras de organizar o pagamento.
Estratégia dos juros
Você concentra o dinheiro extra na dívida com maior taxa de juros, enquanto mantém as demais em dia.
Matematicamente, essa estratégia pode reduzir o custo dos juros ao longo do tempo.
Estratégia da menor dívida
Outra possibilidade é começar pela menor dívida.
Por exemplo:
Dívida A: R$ 300
Dívida B: R$ 1.000
Dívida C: R$ 2.500
Você concentra o esforço na dívida de R$ 300. Depois de quitá-la, utiliza o dinheiro que estava destinado a ela para atacar a próxima.
O mais importante é escolher uma estratégia que você consiga seguir sem abandonar o plano.
Corte gastos temporariamente
Sair das dívidas pode exigir alguns meses de sacrifício.
Isso não significa que você precisa deixar de viver.
A ideia é identificar gastos que podem ser reduzidos por um período determinado.
Por exemplo:
Delivery;
Compras por impulso;
Assinaturas pouco utilizadas;
Compras parceladas;
Gastos frequentes com doces e lanches;
Lazer acima do orçamento.
O objetivo não é viver assim para sempre.
É criar espaço no orçamento para recuperar sua vida financeira.
Tente aumentar sua renda
Cortar gastos tem um limite.
Você pode economizar R$ 100 ou R$ 200 por mês, mas talvez consiga aumentar sua renda em R$ 300, R$ 500 ou mais.
Algumas possibilidades são:
Fazer pequenos serviços;
Trabalhar nos dias de folga;
Vender produtos;
Fazer serviços pela internet;
Trabalhar com manutenção ou reparos;
Vender coisas que não utiliza mais;
Fazer trabalhos temporários.
A renda extra deve ter um objetivo claro: acelerar a quitação das dívidas.
Não use uma dívida para esconder outra
Esse é um dos erros mais perigosos.
Imagine que você tem uma dívida de R$ 2.000 no cartão e pega outro empréstimo de R$ 2.000 para pagar o cartão.
Se você não mudar os hábitos que causaram a dívida, pode acabar com:
Empréstimo + cartão novamente utilizado.
Nesse caso, o problema apenas mudou de lugar.
Trocar uma dívida cara por outra com custo menor pode fazer sentido em determinadas situações, mas é necessário comparar juros, prazo e valor total antes de contratar.
Acompanhe seu progresso
Depois de montar seu plano, acompanhe todos os meses.
Imagine que você começou devendo:
R$ 6.000
Depois:
R$ 5.200
Depois:
R$ 4.300
Depois:
R$ 3.100
Mesmo que ainda pareça muito, você está avançando.
Uma dívida de R$ 6.000 não precisa ser resolvida em uma semana.
Ela precisa ser reduzida de forma consistente.
E depois que as dívidas acabarem?
O trabalho não termina quando você paga a última parcela.
É justamente nesse momento que você precisa evitar voltar para o mesmo problema.
O dinheiro que antes era utilizado para pagar dívidas pode começar a ser direcionado para:
Reserva de emergência;
Objetivos de curto prazo;
Investimentos;
Cursos e qualificação;
Projetos pessoais.
A educação financeira também recomenda manter um orçamento e planejar o futuro depois de recuperar o controle das contas.
Conclusão
Sair das dívidas não depende apenas de ganhar mais dinheiro.
Você precisa saber quanto ganha, quanto gasta, quanto deve e quanto consegue pagar.
Comece hoje com uma tarefa simples:
pegue uma folha de papel e escreva todas as suas dívidas.
Não importa se o número assusta.
Você não consegue resolver um problema que não conhece.
Depois de colocar tudo no papel, você terá algo muito mais importante do que uma promessa de “começar a economizar”: terá um ponto de partida.
Uma dívida por vez. Um mês de cada vez.
Seu objetivo não é ficar rico amanhã.
É recuperar o controle do seu dinheiro.
Estar endividado pode dar a sensação de que não existe saída. As contas chegam, o salário acaba antes do mês e, quando surge uma emergência, muitas vezes o cartão de crédito parece ser a única solução.
Mas sair das dívidas não começa quando você consegue ganhar muito dinheiro. Começa quando você entende exatamente quanto deve, para quem deve e quanto consegue pagar todos os meses.