Como organizar dívidas atrasadas sem surtar ou perder o sono

Aprenda a mapear todas as suas pendências financeiras, renegociar com bancos e criar um plano prático para quitar os débitos no seu ritmo.

DÍVIDAS

9/27/20265 min read

Estar endividado pode dar a sensação de que não existe saída. As contas chegam, o salário acaba antes do mês e, quando surge uma emergência, muitas vezes o cartão de crédito parece ser a única solução.

Mas sair das dívidas não começa quando você consegue ganhar muito dinheiro. Começa quando você entende exatamente quanto deve, para quem deve e quanto consegue pagar todos os meses.

Neste artigo, você vai encontrar um passo a passo simples para começar a organizar sua vida financeira e sair do vermelho.

Pare de fazer novas dívidas

Antes de pensar em quitar as dívidas antigas, é importante interromper o ciclo.

Se você continua usando o cartão para pagar despesas que não cabem no orçamento, pode quitar uma dívida e criar outra logo em seguida.

Durante esse período, tente evitar:

  • Compras parceladas desnecessárias;

  • Usar o cartão para completar o dinheiro do mês;

  • Empréstimos para pagar compras de consumo;

  • Comprar por impulso;

  • Aumentar o limite de crédito.

O cartão de crédito não aumenta sua renda. Ele apenas antecipa uma compra que você terá que pagar depois.

Descubra exatamente quanto você deve

Esse é um dos passos mais importantes.

Pegue papel e caneta, abra os aplicativos dos bancos e faça uma lista de todas as suas dívidas.

Anote:

DívidaValorJurosParcelaVencimentoCartãoR$ 1.500—R$ 30010/10EmpréstimoR$ 2.000—R$ 25015/10LojaR$ 500—R$ 10020/10

Não deixe nenhuma dívida de fora.

Inclua cartão de crédito, empréstimos, financiamentos, contas atrasadas, compras parceladas e até dinheiro que você pegou emprestado de familiares.

A CAIXA recomenda justamente levantar o credor, valor devido, juros, parcela e valor necessário para quitar cada dívida.

Descubra quanto realmente sobra do seu salário

Agora faça outra conta:

Renda mensal − gastos essenciais = dinheiro disponível para as dívidas

Por exemplo:

Salário: R$ 2.500
Aluguel: R$ 700
Alimentação: R$ 500
Luz, água e internet: R$ 250
Transporte: R$ 250

Sobra: R$ 800

Nesse exemplo, não significa que você precisa necessariamente colocar os R$ 800 inteiros nas dívidas. É preciso deixar espaço para despesas que aparecem durante o mês.

O importante é descobrir qual é a sua capacidade real de pagamento.

Organize as dívidas por prioridade

Nem todas as dívidas têm o mesmo impacto.

Uma dívida com juros muito altos pode crescer rapidamente. Cartão de crédito e cheque especial, por exemplo, merecem atenção especial.

Também existem contas essenciais, como água, luz, aluguel e alimentação, que precisam entrar no planejamento.

Depois de listar tudo, organize suas dívidas considerando principalmente:

  1. Contas essenciais;

  2. Dívidas com juros elevados;

  3. Dívidas que podem gerar consequências importantes se não forem pagas;

  4. Dívidas com juros menores.

A recomendação de priorizar dívidas com juros mais altos e negociar condições de pagamento também aparece nas orientações de educação financeira da CAIXA.

Negocie antes de simplesmente aceitar qualquer parcela

Se você não consegue pagar uma dívida inteira, converse com o credor.

Pergunte:

“Quanto fica para quitar à vista?”

Depois pergunte:

“Qual é a menor parcela que vocês conseguem oferecer?”

E também:

“Qual será o valor total que vou pagar no final do acordo?”

Essa última pergunta é muito importante.

Uma parcela pequena pode parecer boa, mas um prazo muito longo pode fazer você pagar muito mais no total.

Compare sempre o valor total da negociação, e não apenas o valor da parcela.

Escolha uma estratégia para quitar

Existem diferentes maneiras de organizar o pagamento.

Estratégia dos juros

Você concentra o dinheiro extra na dívida com maior taxa de juros, enquanto mantém as demais em dia.

Matematicamente, essa estratégia pode reduzir o custo dos juros ao longo do tempo.

Estratégia da menor dívida

Outra possibilidade é começar pela menor dívida.

Por exemplo:

  • Dívida A: R$ 300

  • Dívida B: R$ 1.000

  • Dívida C: R$ 2.500

Você concentra o esforço na dívida de R$ 300. Depois de quitá-la, utiliza o dinheiro que estava destinado a ela para atacar a próxima.

O mais importante é escolher uma estratégia que você consiga seguir sem abandonar o plano.

Corte gastos temporariamente

Sair das dívidas pode exigir alguns meses de sacrifício.

Isso não significa que você precisa deixar de viver.

A ideia é identificar gastos que podem ser reduzidos por um período determinado.

Por exemplo:

  • Delivery;

  • Compras por impulso;

  • Assinaturas pouco utilizadas;

  • Compras parceladas;

  • Gastos frequentes com doces e lanches;

  • Lazer acima do orçamento.

O objetivo não é viver assim para sempre.

É criar espaço no orçamento para recuperar sua vida financeira.

Tente aumentar sua renda

Cortar gastos tem um limite.

Você pode economizar R$ 100 ou R$ 200 por mês, mas talvez consiga aumentar sua renda em R$ 300, R$ 500 ou mais.

Algumas possibilidades são:

  • Fazer pequenos serviços;

  • Trabalhar nos dias de folga;

  • Vender produtos;

  • Fazer serviços pela internet;

  • Trabalhar com manutenção ou reparos;

  • Vender coisas que não utiliza mais;

  • Fazer trabalhos temporários.

A renda extra deve ter um objetivo claro: acelerar a quitação das dívidas.

Não use uma dívida para esconder outra

Esse é um dos erros mais perigosos.

Imagine que você tem uma dívida de R$ 2.000 no cartão e pega outro empréstimo de R$ 2.000 para pagar o cartão.

Se você não mudar os hábitos que causaram a dívida, pode acabar com:

Empréstimo + cartão novamente utilizado.

Nesse caso, o problema apenas mudou de lugar.

Trocar uma dívida cara por outra com custo menor pode fazer sentido em determinadas situações, mas é necessário comparar juros, prazo e valor total antes de contratar.

Acompanhe seu progresso

Depois de montar seu plano, acompanhe todos os meses.

Imagine que você começou devendo:

R$ 6.000

Depois:

R$ 5.200

Depois:

R$ 4.300

Depois:

R$ 3.100

Mesmo que ainda pareça muito, você está avançando.

Uma dívida de R$ 6.000 não precisa ser resolvida em uma semana.

Ela precisa ser reduzida de forma consistente.

E depois que as dívidas acabarem?

O trabalho não termina quando você paga a última parcela.

É justamente nesse momento que você precisa evitar voltar para o mesmo problema.

O dinheiro que antes era utilizado para pagar dívidas pode começar a ser direcionado para:

  • Reserva de emergência;

  • Objetivos de curto prazo;

  • Investimentos;

  • Cursos e qualificação;

  • Projetos pessoais.

A educação financeira também recomenda manter um orçamento e planejar o futuro depois de recuperar o controle das contas.

Conclusão

Sair das dívidas não depende apenas de ganhar mais dinheiro.

Você precisa saber quanto ganha, quanto gasta, quanto deve e quanto consegue pagar.

Comece hoje com uma tarefa simples:

pegue uma folha de papel e escreva todas as suas dívidas.

Não importa se o número assusta.

Você não consegue resolver um problema que não conhece.

Depois de colocar tudo no papel, você terá algo muito mais importante do que uma promessa de “começar a economizar”: terá um ponto de partida.

Uma dívida por vez. Um mês de cada vez.

Seu objetivo não é ficar rico amanhã.

É recuperar o controle do seu dinheiro.

Estar endividado pode dar a sensação de que não existe saída. As contas chegam, o salário acaba antes do mês e, quando surge uma emergência, muitas vezes o cartão de crédito parece ser a única solução.

Mas sair das dívidas não começa quando você consegue ganhar muito dinheiro. Começa quando você entende exatamente quanto deve, para quem deve e quanto consegue pagar todos os meses.